domingo, 27 de janeiro de 2013

Historia Olmeca

Olmeca é a designação dos povos e da civilização que esteve na origem da antiga cultura pré-colombiana da Mesoamérica e se desenvolveu nas regiões tropicais do centro-sul do atual México durante o pré-clássico, próximo de onde hoje estão localizados os estados mexicanos de Veracruz e Tabasco, no Istmo de Tehuantepec, numa zona designada área nuclear olmeca. A cultura olmeca floresceu nesta região aproximadamente entre 1500 e 400 a.C. e crê-se que tenha sido a civilização-mãe de todas as civilizações mesoamericanas que se desenvolveram posteriormente. No entanto, desconhece-se a sua exacta filiação étnica, ainda que existam numerosas hipóteses colocadas para tentar resolver esta questão. O etnónimo olmeca foi cunhado pelos arqueólogos do século XX, e não devem confundir-se com os muito posteriores olmecas-xicalancas que ocuparam vários locais do México central, como Cacaxtla.
 
Origem
 Apesar de ser considerada há muito a civilização-mãe de todas as culturas mesoamericanas que lhe são posteriores, não está ainda claro qual foi o processo que deu origem ao estilo artístico nem se os seus traços culturais característicos foram inicialmente desenvolvidos na Área Nuclear Olmeca (Área Olmeca). Sabe-se que pelo menos alguns desses traços podem ter aparecido inicialmente em Chiapas ou nos Vales Centrais de Oaxaca. Uma das questões que se mantém em aberto é porquê da existência de numerosos sítios olmecas na região da depressão do Balsas, em Guerrero.
Contudo, qualquer que tenha sido a origem da cultura olmeca, a rede de trocas comerciais por ela estabelecida com várias regiões da Mesoamérica fez com que a sua influência cultural se tenha estendido muito além da Área Olmeca, como indicam trabalhos de arte olmeca encontrados em Chiapas, Guerrero, Oaxaca, Vale do México e até no atual El Salvador. Entre os vestígios culturais desta influência encontram-se o culto das montanhas e das cavernas, o culto da Serpente Emplumada como deidade associada à agricultura, o simbolismo religioso do jade, além do próprio estilo artístico reelaborado nos séculos que se seguiram ao declínio dos principais centros urbanos olmecas.

Área Nuclear Olmeca 
Apesar da difusão cultural que alcançou por toda a Mesoamérica, excepto na região Ocidente, a região onde se encontraram evidências mais significativas da cultura olmeca foi a parte sul da planície costeira do golfo do México, situada entre os rios Papaloapan e Grijalva, aproximadamente a metade norte do istmo de Tehuantepec. A esta região correspondem o sul do atual estado mexicano de Veracruz e o norte do estado de Tabasco. Trata-se de uma região de clima quente e húmido.
A região é atravessada por rios caudalosos que descem desde as faldas da Sierra Madre Oriental, como os Coatzacoalcos, San Juan e Tonalá, os quais inundam as suas margens na estação húmida. Atualmente muito modificada pela ação do Homem, esta região encontrou-se em tempos coberta por floresta tropical cerrada, sendo então habitat de numerosas espécies, atualmente em extinção no território mexicano, como o jaguar, arara e quetzal, várias espécies de répteis e o tapir.
Os solos da região são ricos em húmus e de espessuras consideráveis. Em vários locais o petróleo brota à superfície por entre a vegetação. No entanto, não se encontram aqui muitos dos materiais utilizados pelos olmecas na confecção de objetos quotidianos e rituais achados nesta zona e em outras da Mesoamérica. Entre eles, encontram-se o jade, a obsidiana, a serpentina e o cinábrio.
A pedra utilizada nos seus monumentos e construções era obtida em pedreiras situadas na Sierra de los Tuxtlas de onde eram extraídos blocos de basalto e outras rochas vulcânicas. Porém, estes locais encontram-se a cerca de cem quilómetros de locais como San Lorenzo e La Venta, o que por si só dá uma ideia da organização necessária para movimentar blocos de rocha com dezenas de toneladas de peso através de solos pantanosos e sem o auxílio de animais de carga (que ue naõ possuiam).

Escrita
Os olmecas poderão ter sido a primeira civilização do hemisfério ocidental a desenvolver um sistema de escrita. Símbolos descobertos em 2002 e 2006 foram datados de 650 a.C. e 900 a.C. respectivamente, precedendo a mais antiga escrita zapoteca datada de 500 a.C..
A descoberta de 2002 no sítio arqueológico de San Andrés, em Tabasco, mostra uma ave, rolos de discurso, e glifos semelhantes aos hieroglifos maias posteriores.
Conhecida como o bloco de Cascajal, a descoberta de 2006 feita num local próximo de San Lorenzo, mostra um conjunto de 62 símbolos, 28 dos quais são únicos, gravados num bloco de serpentina. Um grande número de arqueólogos proeminentes considerou que esta descoberta será "a mais antiga escrita pré-colombiana". Outros permanecem cépticos por causa da singularidade desta pedra, que está no fato de ter sido removida de qualquer contexto arqueológico, e porque não apresenta qualquer semelhança aparente com qualquer outro sistema de escrita mesoamericano.
Existem também glifos mais tardios bem estudados conhecidos como epiolmecas, e apesar de existir quem creia que a escrita epiolmeca poderá representar um escrita de transição entre a escrita olmeca mais antiga e a escrita maia, tal conclusão não é consensual.

Bússola
A descoberta de um artefacto olmeca composto de hematite apetrechado com uma marca de mira, que se mostrou experimentalmente ser totalmente operacional como bússola, levou o astrónomo estado-unidense John Carlson, após a datação do artefato pelo método do carbono 14, a propor que "os olmecas poderão ter descoberto e utilizado a bússola (...) antes de 1000 a.C." Carlson sugere que os olmecas poderão ter usado tais aparelhos para obterem orientação direcional de habitações e enterramentos.

O calendário mesoamericano de contagem longa e a invenção do conceito de zero
 O calendário de contagem longa utilizado por muitas das civilizações mesoamericanas subsequentes, bem como o conceito de zero, poderão ter sido criados pelos olmecas. Uma vez que os seis artefatos com as mais antigas datas segundo o calendário de contagem longa foram todos descobertos fora da região maia, é provável que este calendário seja mais antigo que a civilização maia e possivelmente uma invenção olmeca. De fato, três destes artefatos foram descobertos na área nuclear olmeca. Porém, o fato de a civilização olmeca ter desaparecido cerca do século IV a.C., isto é, vários séculos antes da mais antiga data em contagem longa que se conhece, é um argumento contra a origem olmeca.
A contagem longa requeria o uso do zero no seu sistema numérico vigesimal. Um glifo com aspecto de uma concha -- -- era usado como um símbolo do zero nas datas em contagem longa, a segunda mais antiga das quais, na estela C de Tres Zapotes, contém uma data correspondente a 32 a.C.. Este glifo é uma das mais antigas utilizações do conceito de zero na História.

O Jogo de Bola Mesoamericano
Os olmecas, cujo nome significa "povo de borracha" na língua náuatle dos astecas (ver abaixo), são fortes candidatos ao título de inventores do jogo de bola mesoamericano, tão disseminado entre as culturas mesoamericanas posteriores e utilizado com propósitos recreativos e religiosos. Uma dúzia de bolas de borracha datando de 1600 a.C. foram encontradas em El Manatí, um paul sacrificial olmeca situado dez quilómetros para leste de San Lorenzo Tenochtitlán. Estas bolas precedem o mais antigo campo de jogo de bola mesoamericano que se conhece descoberto em Paso de la Amada e datando de cerca de 1400 a.C.. O fato de estas bolas terem sido encontradas juntamente com outros objetos rituais, incluindo cerâmica e machados de jadeíte, indica que mesmo nesta data tão antiga o jogo de bola possuía conotações religiosas e rituais.

Organização Social e Política
São poucos os conhecimentos obtidos de forma direta sobre as estruturas social e política da sociedade olmeca. Embora a maioria dos estudiosos assuma que as cabeças colossais e outras esculturas são representações de governantes, não existe nada semelhante às estelas maias (ver desenho), onde são referidos os nomes de governantes específicos e as datas em que governaram.
Como tal, os arqueólogos dependem dos dados que possuem, tais como os levantamentos de sítios arqueológicos feitos em várias escalas. Ocorre uma centralização considerável no interior da área nuclear olmeca, primeiro em San Lorenzo e depois em La Venta. Nenhum outro sítio da área nuclear olmeca se aproxima destes dois em termos de dimensão e qualidade da arquitetura e escultura. Por exemplo Diehl, refere-se a San Lorenzo e La Venta como "Cidades Reais e Rituais".
Esta centralização demográfica leva os arqueólogos a propor que de um modo geral a sociedade olmeca era também ela mesma altamente centralizada, com uma estrutura fortemente hierarquizada, concentrada inicialmente em San Lorenzo e mais tarde em La Venta, com uma elite capaz de utilizar o seu controlo sobre materiais como a pedra para monumentos e água para exercer a liderança e legitimar o seu regime.
Porém, duvida-se que mesmo durante os seus apogeus San Lorenzo e La Venta tenham controlado toda a área nuclear olmeca, apesar da sua dimensão. Existem algumas dúvidas, por exemplo, sobre se La Venta controlava Arroyo Sonso, situado apenas a 35 km de distância. Estudos sobre os assentamentos dos Montes Tuxtlas, a cerca de 60 km de distância, indicam que esta área era constituída de comunidades mais ou menos igualitárias fora do controlo dos centros das terras baixas.

Arte Olmeca
A arte olmeca caracteriza-se por uma grande mestria na escultura e cinzelagem, a qual não foi excedida por nenhuma outra civilização pré-colombiana. Esta mestria é visível tanto na arte colossal como na arte miniatural.
Os artistas olmecas produziam a sua arte em argila, pedra (sobretudo basalto, andesito, jade e obsidiana) e madeira e ainda na forma de pinturas rupestres. A criação artística desta civilização obriga à distinção entre a arte monumental ou colossal e a arte menor ou arte mobiliária.
A cultura olmeca, que existiu entre 1200 e 500 a.C., foi a primeira das grandes civilizações mesoamericanas, e entre estas a primeira a desenvolver um sistema de escrita e um calendário. Mas foi sem qualquer dúvida a sua arte excepcional, tanto pela sua riqueza iconográfica como pelas suas qualidades técnicas, que tornou-se uma referência e uma herança para todas as culturas mesoamericanas posteriores. Deste modo a escrita maia vai apropriar-se do primeiro sistema glífico elaborado pelos artistas olmecas. Os toltecas, zapotecas, astecas e todas as outras civilizações da Mesoamérica acabarão também elas por usar a cultura olmeca como referência em muitos outros domínios, sejam eles artísticos, técnicos, religiosos ou intelectuais.
A arte olmeca permaneceu desconhecida até 1862, ano da descoberta fortuita da primeira cabeça colossal em Hueyapan (Veracruz) efectuada por José María Melgar y Serrano. Será necessário esperar até 1925 para que sejam descobertos outros megálitos olmecas. Os especialistas Frans Blom, arqueólogo, e Oliver La Farge, etnógrafo, exploram a costa do golfo do México e o sudeste do México. As suas primeiras descobertas de obras olmecas são incorretamente confundidas com obras maias. O arqueólogo Hermann Beyer, nos anos trinta, dá o nome "olmeca" a esta nova civilização. A cultura e arte olmecas são então definidas e o termo é oficializado em 1942 pelos olmecólogos para designar a civilização-mãe da Mesoamérica, cujos centros mais importantes conhecidos são La Venta, San lorenzo Tenochtitlán, Laguna de los Cerros, Tres Zapotes e Cerro de las Mesas, nos atuais estados mexicanos de Tabasco e Veracruz, e ainda Tlacozotitlan e Abaj Takalik situados em Guerrero e na Guatemala, respectivamente. Em seguida, Alfonso Caso e Miguel Covarrubias, definem os traços culturais da Mesoamérica e o arqueólogo estadunidense Matthew Stirling coloca em evidência os sítios chave da costa do golfo que serão objeto de escavações que revelam importantes descobertas artísticas olmecas.
As primeiras escavações arqueológicas em sítios olmecas revelaram práticas rituais em ossos humanos. Foram constatadas mutilações dentárias e deformações cranianas. Estas práticas, ainda que chocantes nos tempos de hoje, tinham um grande simbolismo e podem ser observadas em certas esculturas, sobretudo em jade, representaçõea artísticas dos seus usos e costumes. No que toca à escrita e apesar das controvérsias que tal tema levanta entre os especialistas, pode afirmar-se atualmente, após a descoberta do bloco de Cascajal, que existia um sistema de escrita entre os olmecas desde 1200 a.C.. O bloco de Cascajal revela toda a sua importância, tratando-se do mais antiga escrita descoberta na América. A aparição de uma escrita olmeca (ideogramas e pictogramas) evoca consequentemente uma linguagem mais do que uma simples ornamentação.Trata-se certamente duma "linguagem de sinais" relevada sobretudo do domínio religioso e do campo sociopolítico. A ideia de uma escrita baseada apenas na forma dos ideogramas deverá portanto ser excluída.
A arte olmeca é portadora de todos esses sinais que podem ser encontrados em primeiro lugar nos objetos em terracota e mais tarde em outros suportes, tais como a pedra. De acordo com a escola francesa promovida por Christine Niederberger e retomada nomeadamente por Caterina Magni, a cultura olmeca é um conjunto multiétnico e plurilinguístico, concretamente, a sua presença é atestada em níveis de ocupação antigos na costa do golfo do México, no vale do México e ao longo da costa pacífica dos estados de Guerrero, Oaxaca e Chiapas, mas sobretudo para além das fronteiras mexicanas, até ao sul da Costa Rica. Outros especialistas, como Michael D. Coe e Gareth Lowe, ligam os olmecas às famílias linguísticas maia e mixe-zoque respectivamente; Gareth Lowe faz referência à língua popoluca, do grupo macromaia mixe-zoque, falada pelos habitantes da costa do golfo.

Sangrias e Sacrifícios
Existem fortes evidências da prática de sangrias ou auto-sacrifícios entre os olmecas. Têm sido encontrados numerosos espigões de raia e espinhos de agave, naturais e feitos de cerâmica, no registo arqueológico da área nuclear olmeca.
O argumento segundo o qual os olmecas instituíram os sacrifícios humanos é bastante mais especulativo. Não foram, até ao momento, encontrados objetos sacrificiais olmecas ou com influência olmeca e tão pouco se conhecem obras de arte olmecas que mostrem de forma inequívoca vítimas sacrificiais (semelhantes, por exemplo, aos danzantes de Monte Albán ou a cenas de sacrifícios humanos como as que podem ser vistas no famoso mural do campo de jogo de bola de El Tajín).
Contudo, no sítio de El Manatí, foram descobertos, juntamente com outras oferendas crânios, fémures e esqueletos completos de recém-nascidos e fetos, o que deu azo à especulação sobre sacrifícios de crianças. No entanto, não é ainda conhecida a forma como estas crianças terão sido mortas. Alguns autores também associam o sacrifício de crianças com obras de arte ritual olmeca onde se vêem bebés de jaguar-homem coxeando, como no Altar 5 de La Venta (à direita) ou na figura de Las Limas. Serão necessárias novas descobertas até que se obtenham respostas definitivas.

Cabeça Colossal Olmeca
As Cabeças colossais referem-se a enormes representações de cabeças humanas esculpidas em monumentais pedras de basalto. Estas esculturas, datadas por volta de 900 a.C., são uma distinta característica da antiga civilização olmeca, a cultura pré-colombiana da Mesoamérica que se desenvolveu nas regiões tropicais do centro e sul do atual México. As primeiras investigações arqueológicas sobre a cultura olmeca que determinaram a descobertas destas mesmas representações, foram comandadas pelo arqueólogo Matthew Stirling na região de Tres Zapotes em 1938, que no século XIX havia encontrado uma das 17 cabeças colossais documentadas até a atualidade. Todo o conjunto desta esculturas teve a sua origem nos estados de Veracruz, Tabasco e na costa do Golfo do México. Grande maioria das cabeças colossais foram talhadas a partir de imensos blocos individuais de rocha basáltica, com exceção das chamadas San Lorenzo Tenochtitlán que foram esculpidas em enormes troncos de madeira maciça. Estas eram arrastadas ou transportadas por rio até o seu local de destino. Existe um monumento complementar, em Takalik Abaj, Guatemala, que é um trono provavelmente esculpido a partir de uma cabeça colossal. Esta é a única cópia conhecida fora do antigo reino Olmeca.
Extraídas de montanhas localizadas a mais de 100 quilômetros do seu local de adoração, na Sierra de los Tuxtlas em Veracruz, eram transportadas com o esforço de quase de 2 mil homens, possibilidade essa ainda por confirmar. A maioria destes monumentos datam do pré clássico (entre 1500 e 1.000 a.C) e alguns do pré-clássico médio (entre 1000 e 400 a.C.). O seu peso varia de 6 a 40 toneladas, sendo que a menor tem 1,47 metros de altura e a maior com 3,40 metros conhecida como La Cobata. Segundo Fernando Bustamante Rábago, diretor do Museu Regional Tuxteco, México, as pedras vulcânicas eram recolhidas e esculpidas nas terras altas na região de San Andrés, de onde eram levadas para as margens dos rios, para então, por balsa rumarem a seus destinos. Especialistas afirmam que esta monumentais obras escultóricas representem retratos de soberanos olmecas e os elmos que ostentam seriam símbolos de distinção hierárquica. Outra teoria recorre ao conceito de que se tratam de representações de deuses ou entidades supraterrenais em que a sua aparência corresponde à própria imagem desses seres.
Algumas cabeças de La Venta e San Lorenzo estavam alinhadas entre si e com os pontos cardeais, sugerindo uma orientação astronômica. Algo que não é inusual entre os povos pré-colombianos, que realizavam monumentos e edifícios integrados às funções rituais e astronômicas.
As feições das cabeças (nomeadamente as faces planas e os lábios grossos) têm sido causa de debate devido à sua aparente semelhança com características faciais africanas. Baseando-se nesta comparação, alguns têm insistido que os olmecas eram africanos que migraram para o Novo Mundo. Porém, os principais estudiosos da Mesoamérica atualmente rejeitam esta hipótese, e oferecem outras explicações possíveis para as características das faces das cabeças colossais. Outros fazem notar que, além do nariz achatado e dos lábios grossos, as cabeças exibem dobras epicânticas tipicamente asiáticas e que todos estes traços faciais podem ainda hoje ser encontrados nos indígenas mesoamericanos atuais.

Principais Cidades

La Venta
 La Venta era um centro cívico e cerimonial. Apesar de poderem ter existido residências reais ainda por descobrir, as habitações para a élite não real e para os comuns estavam situadas em sítios em redor como San Andrés.
Em lugar de casas de habitação, La Venta é dominada pela área sacro-real (Complexo A), a Grande Pirâmide e a grande praça a sul destas duas estruturas.
Como centro cerimonial, La Venta contém uma série de elaborados túmulos e oferendas enterradas, bem como esculturas monumentais. Estes monumentos de pedra, estelas e "altares", foram cuidadosamente distribuídos por entre os montículos e plataformas. Os montículos e as plataformas foram construídos sobretudo com areias e argilas locais. Pensa-se que em muitas destas plataformas existiriam estruturas de madeira que há muito terão desaparecido.

San Lorenzo
San Lorenzo (também chamada San Lorenzo Tenochtitlán) é uma zona arqueológica da civilização olmeca situada no estado mexicano de Veracruz. Juntamente com La Venta é um dos dois sítios mais importantes daquela civilização mesoamericana, tendo tido o seu auge entre 1 200 a.C. e 900 a.C. A zona arqueológica de San Lorenzo inclui três sítios arqueológicos: San Lorenzo, Tenochtitlan e Potrero Nuevo e é especialmente conhecida pelas várias cabeças de pedra gigantes que aí foram encontradas. É difícil imaginar o aspecto de San Lorenzo durante o seu apogeu em 900 a.C. O sítio ocupa cerca de 500 ha. O planalto foi objeto de importantes obras de terraplanagem, nomeadamente o enchimento de zonas mais baixas. Existem vários lagos artificiais, que são objeto de discussão entre os arqueólogos. Pelo menos dez cabeças gigantes e vários tronos formavam alinhamentos rituais. Atualmente pensa-se que as cabeças gigantes são representações de soberanos. Muitos destes monumentos estavam concentrados na parte oeste do planalto, onde se encontra também uma residência real chamada Palácio Vermelho e um ateliê de escultura. Há algum tempo, pensava-se que as esculturas de San Lorenzo pudessem ter sido mutiladas após uma revolta que tivesse posto fim à dinastia reinante. A crença atual é a de que os olmecas re-esculpiam os monumentos antigos.
O sítio exibe igualmente um sistema de canais de drenagem subterrâneos construídos com pedras cuidadosamente colocadas e ajustadas em forma de U, com um declive de 2%.
A fase Nacaste que se seguiu ao apogeu de San Lorenzo não produziu qualquer monumento. No entanto, distingue-se por um tipo diferente de cerâmica. A fase Palangana é contemporânea de La Venta. É marcada pela construção de uma série de túmulos, ignorando-se se San lorenzo dependia de La Venta nessa altura.

Laguna de Los Cerros
Laguna de los Cerros é um sítio arqueológico, ainda pouco escavado, da civilização olmeca datado do período clássico mesoamericano e situado no sopé do lado sul dos Montes Tuxtlas. Juntamente com Tres Zapotes, San Lorenzo Tenochtitlán e La Venta, Laguna de los Cerros é considerado um dos quatro principais centros olmecas.
Laguna de los Cerros foi assim batizado devido aos mais de 100 montículos que marcam a paisagem. O padrão arquitetônico básico consiste de montículos compridos e paralelos flanqueando grandes praças rectangulares. Montículos de forma cónica marcam as extremidades das praças. Montículos maiores, antes plataformas residenciais elevadas, estão associados com os montículos paralelos menores. A maioria dos montículos datam do período clássico, aproximadamente Devido à sua localização numa passagem entre os vales fluviais a sul e o noroeste, e à sua proximidade a fontes de basalto nas montanhas vulcânicas dos Tuxtlas a norte, Laguna de los Cerros foi ocupado ao longo de um período anormalmente longo - talvez tanto como dois mil anos, desde os tempos olmecas até ao período clássico.
O povoamento de Laguna de los Cerros parece ter ocorrido entre 1400 e 1200 a.C. e por volta de 1200 a.C. havia-se tornado um centro regional, cobrindo cerca de 150 ha. Por volta de 1000 a.C. havia quase duplicado o seu tamanho com 47 sítios mais pequenos num raio de 5 km. Um destes sítios satélites era Llano del Jícaro, que era sobretudo uma oficina de arquitetura monumental devido à sua proximidade aos fluxos basálticos. Os monumentos talhados em basalto de Llano del Jícaro podem ser encontrados não só em Laguna de los Cerros, mas também em San Lorenzo Tenochtitlán, cerca de 60 km para sudeste. Pensa-se que provavelmente Llano del Jícaro era controlado por San Lorenzo Tenochtitlán, direta ou indiretamente ou através do controlo de Laguna de los Cerros.e 250 a 900 d.C. O povoamento de Laguna de los Cerros parece ter ocorrido entre 1400 e 1200 a.C. e por volta de 1200 a.C. havia-se tornado um centro regional, cobrindo cerca de 150 ha. Por volta de 1000 a.C. havia quase duplicado o seu tamanho com 47 sítios mais pequenos num raio de 5 km. Um destes sítios satélites era Llano del Jícaro, que era sobretudo uma oficina de arquitetura monumental devido à sua proximidade aos fluxos basálticos. Os monumentos talhados em basalto de Llano del Jícaro podem ser encontrados não só em Laguna de los Cerros, mas também em San Lorenzo Tenochtitlán, cerca de 60 km para sudeste. Pensa-se que provavelmente Llano del Jícaro era controlado por San Lorenzo Tenochtitlán, direta ou indiretamente ou através do controlo de Laguna de los Cerros.

Tres Zapotes
Tres Zapotes é um sítio arqueológico mesoamericano situado nas terras baixas do centro sul da costa do golfo do México, na planície fluvial do rio Papaloapan. Tres Zapotes é por vezes considerado o terceiro sítio olmeca em termos de importância (depois de San Lorenzo e La Venta), apesar da fase olmeca de Tres Zapotes constituir apenas uma fração da história deste sítio. A ocupação mais antiga ocorreu aproximadamente ao mesmo tempo que a de La Venta, mas existiu ainda uma ocupação pós-olmeca. O sítio situa-se na aldeia de Tres Zapotes, perto de Santiago Tuxtla, Veracruz, na orla ocidental da Sierra de los Tuxtlas.

Religião e Mitologia
As atividades religiosas olmecas eram levadas a cabo por uma combinação de governantes, sacerdotes a tempo inteiro, e xamãs. Os governantes eram provavelmente as mais importantes figuras religiosas, e as suas ligações às divindades e seres sobrenaturais olmecas dariam legitimidade ao seu poder. Existem também evidências consideráveis da existência de xamãs nos registos arqueológicos olmecas, particularmente as chamadas figuras de transformação.
Não existem na mitologia olmeca quaisquer documentos comparáveis ao Popol Vuh da mitologia maia, e portanto qualquer exposição sobre a mitologia olmeca assentará sempre sobre interpretações de arte monumental e portátil que chegou até aos nossos dias (como a figuras de Las Limas, à direita), bem como em comparações com outras mitologias mesoamericanas. A arte olmeca mostra que divindades como a Serpente Emplumada e o Espírito da Chuva já existiam no panteão mesoamericano dos tempos olmecas.

Figuras Mitológicas

Serpente Emplumada
A figura mitológica da Serpente Emplumada representada por toda a América do Norte e Mesoamérica remonta provavelmente aos tempos olmecas. Nas tradições posteriores a serpente com plumas de quetzal era conhecida como a inventora dos livros e do calendário, a dadora do milho à humanidade e, às vezes, como símbolo de morte e ressurreição, muitas vezes associada a Vénus. Os maias conheciam-na como Kukulkán e os quichés como Gukumatz. Os toltecas representavam a serpente emplumada como Quetzalcoatl, rival de Tezcatlipoca. A arte e iconografia demonstram claramente a importância da deidade da Serpente Emplumada no período clássico e na arte olmeca.

O Homem das Colheitas
O Homem das Colheitas é uma figura de fertilidade na mitologia mesoamericana. Entre os olmecas, os deuses eram muitas vezes representados com a testa "rachada", talvez identificando esta característica como divina. Um machado ritual esculpido encontrado em Veracruz mostra uma representação do deus II, ou deus do Milho, com milho crescendo da rachadura na sua cabeça e mostrando-o igualmente com a boca aberta típica do jaguar (Coe 1972:3).
O Homem das Colheitas era um homem ou rapaz humano que escolheu dar a sua vida para que o seu povo pudesse cultivar comida. O heróico Homem das Colheitas é por vezes ensinado ou assistido por uma figura divina do outro mundo. Os mitos do povo popoluca de Veracruz fazem dele um herói tribal, por vezes chamado Homshuk, cuja morte dá comida a toda a humanidade". Nas versões asteca, tepecana e tarasca, ele é enterrado e milho e tabaco crescem da sua sepultura. Um mito dos quichés cristianizados conta que, durante e após a sua crucificação, milho e outras colheitas jorraram do corpo de Jesus.

Espírito da Chuva
A imagem olmeca do espírito da chuva aparece frequentemente na mitologia de culturas sucessoras. Invariavelmente, o espírito da chuva é masculino, embora possa ter uma esposa que partilha da sua autoridade sobre as águas. Muitas vezes é percebido como uma criança ou jovem homem, às vezes como anão. Pode também ser representado como um poderoso deus da chuva, com muitos ajudantes.
Nas tradições asteca e maia, o senhor da chuva é um espírito mestre, com vários ajudantes. O seu nome na língua dos astecas é Tlaloc, e os seus ajudantes são os tlaloque. Os maias do Iucatã reconhecem Chaac e os chacs. Na região da Guatemala, estes espíritos são muitas vezes associados com deuses do trovão e relâmpago bem como com a chuva. Em algumas tradições, como a dos pipiles de El Salvador, a figura do mestre encontra-se ausente, e o mito foca-se sobre as "crianças da chuva", ou "rapazes da chuva". Os nauas modernos consideram estes numerosos espíritos anões, ou "gente pequena". No estado de Chiapas, o povo zoque diz que os espíritos da chuva são muito velhos mas parecem-se com rapazes.

Jaguar
Os olmecas talhavam figuras humanas muito distintas em pedra, algumas de tamanho monumental. Itens menores eram talhados em jade fino e jadeíte, incluindo muitas figuras humanas com fortes traços de jaguar. Como o jaguar era um predador indígena da região, as figuras de jaguares podem ser uma representação visual do mito olmeca sobre a interação do jaguar ou dum espírito de jaguar com os seres humanos. Apesar do grande número do que se pensa serem imagens de jaguares ou de jaguares-homens, não se sabe se a cultura olmeca considerava realmente o jaguar ou o jaguar-homem como um deus ou deidade (como os egípcios consideravam Anúbis, por exemplo).
A imagem do jaguar encontra-se em muitas inscrições maias e a palavra b'alam, "jaguar", é um elemento nos nomes de heróis míticos e de alguns governantes maias.

Construção dos Monumentos
Os Olmecas construíram um grande centro cerimonial em (1250 a.C): San Lorenzo. Seus artífices levantaram uma grande plataforma com 45 metros de altura, alinhando praças retangulares de norte a sul.A arte olmeca também é surpreendente. Sabiam esculpir em jade pequenas imagens ao mesmo tempo em que faziam grandes cabeças de pedra, cujo peso foi calculado em 20 toneladas. A principal cidade (de que temos conhecimento) construída pelos Olmecas, foi San Lorenzo. Nela estão as cabeças colossais que devem representar seus líderes entre 1200 e 900 a.C.. A cidade disseminou sua influência tanto ao Norte como ao Sul, por meios pacíficos e belicosos. A construção dos seus monumentos demonstra que foi necessário um grande esforço para se obter o efeito monumental que desejavam. Como não conheciam a roda nem utilizavam animais para a tração, essa energia sobre-humana foi gasta por aqueles homens que viviam nas proximidades dos centros cerimoniais e que, de alguma forma, eram obrigados a desempenhar tal esforço. Como se vivessem num eterno desafio novas cabeças foram erguidas em La Venta, de proporções ainda maiores. As construções, dadas as suas dimensões, são admiráveis para a época. Surpreende-nos também os conhecimentos astronômicos e as habilidades nos cálculos.

Etnicidade e Língua
Enquanto a verdadeira etnicidade dos olmecas permanece desconhecida, várias hipóteses têm sido avançadas. Em 1976, Lyle Campbell e Terrence Kaufman publicaram um artigo em que sugeriam existir um número importante de palavras de empréstimo que ter-se-ão aparentemente disseminado a partir de uma língua mixe-zoque para outras línguas mesoamericanas. Campbell e Kaufman propõem também que estes empréstimos linguísticos podem ser vistos como um indicador de que os olmecas, a primeira "sociedade altamente civilizada" da Mesoamérica, falavam uma língua que é um ancestral das línguas mixe-zoque, e de que terão disseminado um vocabulário específico da sua cultura entre os outros povos da Mesoamérica.
Uma vez que as línguas mixe-zoque ainda são, e historicamente sabe-se que foram, faladas numa área correspondendo aproximadamente à área nuclear olmeca, e dado que a cultura olmeca é atual e geralmente vista como a primeira "alta cultura" da Mesoamérica, tem sido geralmente admitida como provável a ideia de os olmecas terem falado uma língua mixe-zoque.

Declínio
Não se sabe com clareza o que provocou a eventual extinção da cultura olmeca. Sabe-se que entre 400 e 350 a.C., a população da porção oriental da Área Nuclear Olmeca decresceu fortemente, e esta área manter-se-ia pouco habitada até ao século XIX. Esta perda de população parece ter sido originada por factores ambientais: talvez resultado de mudanças nos cursos de rios importantes, ou do seu assoreamento devido às práticas de cultivo.
Qualquer que tenha sido a causa, poucos séculos após o abandono das últimas cidades olmecas, haviam-se estabelecido firmente culturas sucessoras. O sítio de Tres Zapotes, na orla ocidental da Área Nuclear, continuaria a ser ocupado bem para além de 400 a.C., mas sem os traços típicos da cultura olmeca. Esta cultura pós-olmeca, frequentemente designada epiolmeca, tem características semelhantes às encontradas em Izapa.


Fontes:


 






Um comentário:

  1. porque os polvos eram colossais diga emediatamente pq eu preciso fazer um trabalho
    lgo

    ResponderExcluir